Como é fazer voluntariando na escola Hai África em Nairóbi, no Quênia
Se você acha que o Brasil é pobre, tente imaginar como é o Quênia. Vários países africanos vivem em condições de extrema pobreza – no Quênia, quase metade da população (46%) vive abaixo da linha de pobreza, ganhando menos de um dólar por dia.
Não é à toa que tantos viajantes decidem passar um tempo fazendo voluntariado na África. Existem várias empresas que oferecem esse serviço, mas fique ligado: muitas cobram a maior grana, supostamente para bancar tua hospedagem e alimentação, mas muitas vezes apenas parte desse dinheiro vai para a instituição carente.
Meu voluntariado no Quênia foi diferente desses pacotes: passei um tempo ajudando informalmente no Hai África, uma escola aberta em 2015 por uma brasileira em Nairóbi. A experiência foi sensacional, certamente marcou a minha vida, fiquei com muita vontade de ter mais tempo pra passar por lá ajudando!
O QUE É O HAI AFRICA
O Hai África é uma escola primária que atende 30 crianças, de 3 a 7 anos de idade (duas turmas). Ela foi aberta em 2015 pela Mariana Fischer, uma paulistana de coração enorme – tenho o maior orgulho de ser amiga dela!
A Mari passou um tempo fazendo um voluntariado em Nairóbi, e quando terminou, decidiu que queria fazer mais pra ajudar as crianças locais, que vivem em condições de extrema pobreza. Foi quando teve a ideia de abrir uma escola gratuita para elas.
Pra tirar esse projeto do papel, ela fez um crowd funding, ou financiamento coletivo, pra arrecadar fundos pra abrir a escola. Desde então o projeto vem crescendo, atendendo cada vez mais crianças, na medida do possível, pois o espaço é pequeno e os recursos são limitados.
As crianças recebem uma educação humanizada e 3 refeições saudáveis por dia. As aulas são no período da manhã, e totalmente gratuitas.
A estrutura é enxuta: são duas turmas de alunos com diferentes idades, duas professoras, mais a Zaria, que faz a administração de tudo por lá, e a Mari, que organiza as coisas à distância, em São Paulo.
A escola é mantida com a ajuda dada pelos padrinhos do projeto e com ações sociais que a Mari organiza com frequência, como bazares.

ONDE FICA
O Hai África fica em Kabiria, uma comunidade no subúrbio de Nairóbi, no Quênia. A região é bem pobre, não tem água encanada nas casas (eles têm que ir até o poço ou até as torneiras municipais pra buscar água) e muitos locais não tem energia elétrica (a rua principal fica super escura à noite).
COMO FOI MEU VOLUNTARIADO NO HAI AFRICA
Fico até emocionada ao escrever esse texto – o tempo que passei lá no Hai África foi tão marcante, tão importante na minha vida, que até me emociono ao lembrar das crianças.
Meu trabalho lá foi ajudar com de tudo um pouco. Como comentei, a estrutura é enxuta, então a Zaria e as professoras se revezam em todas as atividades – dar aula, preparar as refeições, lavar a louça, limpar a escola, brincar com as crianças…
Ajudei em tudo que pude – claro que brincar com as crianças é a melhor parte, mas eles precisam bastante de alguém pra dar mão também com as refeições e limpeza, então tudo isso acaba fazendo parte do trabalho.
Também ajudei um pouco nas aulas – não tenho experiência com pedagogia, mas como a educação é feita em inglês, dá pra ajudar um pouco com isso também. Nem sempre, pois as crianças menores ainda falam bem pouco de inglês, e eu não falo quase nada de swahili… rs…
O que achei bem bacana da experiência foi ter ficado hospedada na casa da Zaria, que fica nos fundos da escola. Experimentar a verdadeira vida na comunidade é algo que a gente normalmente não faz numa viagem pra África, quando só fica em hostels ou hoteis.
A comunidade é bem simples. As casas são super pequenas, a casa da Zaria tem um quarto (a gente dividia a cama), uma sala (onde a gente fazia as refeições no chão, conforme o costume africano), e uma pequena cozinha na parte externa, junto com um pequeno pátio.
Não tem água na torneira. Mais do que tomar banho de canequinha todo dia (todo dia mais ou menos, que acabei adotando a política do um dia sim, um dia não… haha), achei sofrido lavar a louça. Eles buscam água num poço da região, pra lavar a louça eu sentava num banquinho no pátio, colocava tudo numa bacia e ia lavando economizando a água o máximo possível. Dor nas costas e trocentas horas pra conseguir lavar tudo!
O banheiro é fora da casa, e no estilo africano/asiático: buraco no chão. Eu já tava acostumada com isso, depois da trip pela Ásia, mas muita gente sofre com esse rolê. E eles não costumam usar papel higiênico, então você tem que comprar o seu por lá.
Só vivendo uma experiência dessas pra gente passar a valorizar o simples fato de poder abrir uma torneira e sair água. De ter um banheiro confortável dentro da casa. De ter dinheiro suficiente pra comprar comida todo mês…
A Zaria me recebeu na casa dela como se fosse parte da família, me apresentou para os pais e até me levou pra participar de eventos muçulmanos ou festas típicas da tribo deles. Foi sem dúvida muito especial ter tido a oportunidade de ficar na casa da Zaria!
AS CRIANÇAS
Ah, as crianças! Coisa mais fofa do mundo! Quando cheguei na escola no primeiro dia, elas estavam super tímidas, e mal falavam comigo. As professoras tinham que ficar pedindo pra elas me responderem.
Essa timidez durou pouco! Logo elas estavam bem soltinhas, doidas pra tirar foto e brincar comigo, me mostrando os livros, os desenhos que fizeram, aproveitando pra treinar o inglês. E no recreio era a maior bagunça! Adoro!
As idades são variadas (de 3 a 7), e eles são distribuídos nas turmas de acordo com o nível do conhecimento que já tem, além da idade. A turma dos babies está aprendendo o início da alfabetização (em inglês!), a dos maiorzinhos já está mais avançada, com conhecimentos gerais.
O bacana é que as crianças ajudam as professoras com tudo, levam e buscam os pratos/xícaras, ajudam a distribuir as refeições entre os colegas e tudo mais.
A maioria das famílias não tem dinheiro suficiente pra alimentar as crianças em casa, então as 3 refeições que eles recebem na escola são fundamentais.
Como você pode imaginar, cada vez mais famílias querem que seus filhos estudem no Hai África – a maioria não tem condições de bancar uma escola, e a maior parte das crianças da comunidade infelizmente não frequenta nenhuma escola.
Pra poder ajudar cada vez mais crianças, o Hai está com um projeto de expansão: a ideia é comprar um terreno, para parar de pagar o aluguel, que acaba saindo caro, e construir um espaço maior. É o projeto Hai – Construindo com Amor, que precisa arrecadar fundos até o final de outubro pra se tornar uma realidade.
E você pode ajudar isso a acontecer! Fazendo uma doação a partir de R$ 10,00, você contribui com parte do futuro terreno. Se o projeto atingir a meta, a escola vai poder crescer, atender mais crianças, e dar continuidade à educação das que já estão em idade para passar para o próximo nível.
Acesse aqui o projeto pra ver mais sobre ele. Toda ajuda é mais do que bem-vinda! E se puder ajudar a divulgar também, agradecemos!
Você encontra mais infos sobre o Hai Africa aqui no site deles.








HAI – CONSTRUINDO COM AMOR



2 comentários
Carol!! To indo pra África em setembro e gostaria muito de passar uns dias nesse projeto maravilhoso! Há possibilidade?? Como faço?
Abraços
Oi Karina,
Legal, rola sim. Converse com a Mariana Fischer no site do Hai África, ela te explica tudo direitinho!
bj, e feliz natal!