Sou brasileira e não desisto nunca

por Carol Moreno

(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 10/09/14 – semana 42).

Grécia - carona (4)Senti o suor escorrendo pelas costas. O sol brilhava com toda força, sem nenhuma nuvem solidária pra apaziguar o calor. A mochila já começava a incomodar nos ombros, agora com o peso extra da barraca recém comprada. As primeiras bolhas apareciam nos pés, e eu mal sabia que ainda caminharia por 4 incessantes horas, e que teria um longo e surpreendente dia pela frente.

Era a minha estreia como caroneira. Ansiedade, incerteza, expectativa – uma mistura de sensações me moviam, enquanto eu caminhava pelas ruas de Patras, na Grécia, tentando executar a primeira missão do dia: descobrir onde era a estrada que me levaria até o meu destino. Saí perguntando pela rua, mas ninguém sabia me responder, parecia que eu estava falando grego – antes estivesse, nesse caso!

Grécia - Ioannina - caronaQuando finalmente soube que direção seguir, fui caminhando até achar um lugar na rodovia que parecia promissor. Estendi o braço segurando a minha plaquinha e fiquei esperando uma boa alma parar. Os carros passavam em alta velocidade, muitos sem nem me ver. De um começo tímido, fui mudando a técnica, usando o famoso dedão, colocando a mochila na minha frente, olhando sorrindo para os motoristas…

Finalmente na ponte!

Finalmente na ponte!

E de repente, alguém parou.  Mas ainda não foi dessa vez – o grego parou pra me dizer que era melhor eu tentar em outro lugar, e me deu uma mini carona até o posto de pedágio. Supostamente seria mais fácil eu caronar ali, mas pra minha surpresa acabei descobrindo que era proibido fazer isso lá.

Só eu pra achar que essa ponte era curtinha, né... rs

Só eu pra achar que essa ponte era curtinha, né… rs

Continuei a minha Via Crucis, tentando chegar até a ponte estaiada onde acreditava que tiraria a sorte grande. Uma hora caminhando, e em vez de chegar na entrada da ponte, acabei saindo num lugar errado, onde o único jeito era subir por uma escadinha, pra não ter que voltar tudo. Otimista incorrigível, eu ainda acreditava que conseguiria carona no meio da ponte – o que, claro, não aconteceu, considerando que os carros nem me viam e não tinham onde parar. Olhei para a ponte, ela olhou pra mim, e decidi: ela não pode ser tão grande assim, eu dou conta!

A essa altura eu já nem sentia mais os ombros, com o peso da mochila. Os pés, coitados, estavam judiados em cima das Havaianas. Aos poucos um vento começou a surgir, e foi aumentando de tal forma que, mesmo com a mocha, eu tinha que fazer força pra andar em linha reta e não sair voando. A ponte, que antes parecia pequena, se estendia infinitamente no horizonte, sem nem mostrar o pote de ouro no final. Sentei e respirei. Ali, no meio da ponte, era seguir em frente ou ter que voltar tudo que eu já tinha andado. Nessas horas a força vem não sei de onde, mas vem.

Albânia - GjirokasterForam 4 horas caminhando, e depois mais uma hora esperando com a plaquinha na estrada, sem perder a fé. Logo chegaria a noite, e eu já começava a pensar em ter que desistir da minha natimorta vida de caroneira, quando um carro com dois turcos parou e me deu a tão esperada carona! Foi perfeito, fiz dois novos amigos, fomos conversando um monte pelo caminho e cheguei sã e salva ao meu destino! É, tentativas frustradas só existem se você desistir delas no meio do caminho!

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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 10/09/14 – semana 42.

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2 comentários

marcusmartins 03/05/2015 - 10:27

Fala um pouco mais sobre esse processo de pedir carona. Você chegou a pedir carona mais vezes.
Abraço

Responder
Carol Moreno 03/05/2015 - 20:17

Pedi sim, Marcus, vou fazer um post só com dicas sobre pedir carona. Mas se quiser ver umas dicas boas já, acesse o Diários de Carona, é ótimo!
bj

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