Arcos do Mirante Yanahuara
Arequipa é uma cidade linda no Peru, que acaba ficando de fora do roteiro de muitos brasileiros, que focam em Cusco, Machu Picchu e Lima. Mas a cidade é incrível, cercada de vulcões, com muitas ruas históricas, comidas típicas em verdadeiros botecos arequipenhos (picanterías) e construções feitas com rochas vulcânicas (daí o apelido de Ciudad Blanca). Vale muito a pena incluir Arequipa em um roteiro pelo Peru.
Passamos 4 dias por lá (foi minha terceira vez visitando Arequipa!), tem muita coisa legal pra conhecer, além de apenas caminhar pelas ruelas. A maioria da galera que vai pra lá vai pra conhecer o Canyon del Coca, que é lindíssimo – aqui no post você encontra 7 motivos pra ir pra Arequipa, além do canyon!
Pra conhecer o Canyon del Coca você pode fazer um trekking de um ou dois dias. Fiz o trekking caminhando canyon abaixo em 2015, passando a noite lá embaixo e caminhando morro acima no dia seguinte – puxado, mas lindo). O canyon fica a umas 3 horas de Arequipa – é perto, mas nem tanto assim! Mas bora para os 7 motivos, que ficam na cidade mesmo!
Ah, e no final do post ainda tem dicas extras, de onde se hospedar e como chegar em Arequipa.
Pra começar, olha aí o vídeo que fiz sobre o nosso rolê por Arequipa:
Passear pelo Centro Histórico de Arequipa é uma delícia. Tudo começa pela Plaza de Armas, enorme e super bonita, com a Catedral junto à ela.
Ali perto tem vários pontos interessantes pra conhecer, como a Igreja da Companhia de Jesus (construção barroca super bonita, foi derrubada em um terremoto e totalmente restaurada) o Museu Santuarios Andinos (que tem uma múmia encontrada nos Andes, a Múmia Juanita, bem interessante) e o Monastério Santa Catalina – imperdível, na minha opinião (conto mais sobre ele logo abaixo).
Ruas legais pra conhecer no centro histórico são a Calle San Francisco, cheia de restaurantes e baladinhas, com a igreja San Francisco no final; e a Calle Santa Catalina, também com vários restaurantes e lojas, além do Monastério de mesmo nome.
A parte mais barata (mais popular) do centro histórico fica para o outro lado da Praça, oposto a essas duas calles aí, mais para os lados do Mercadão (falo mais sobre o Mercado San Camillo mais pra frente aqui no post). Ali é centrão mesmo, com restaurantes barateza de frango, várias lojas de chineses, lojinhas de terno, óticas a dar com o pé, vendedores nas ruas, menu del día mais barato. Se quiser achar lugar barato pra comer, esse é o canal.
Ah, no Centro conhecemos o Bar Chancho Cojo, a algumas quadras da Plaza de Armas. Eles têm cerveja artesanal e cidra, bem diferente – eles mesmos produzem, e o bar fica numa pequena vila bem bonita, junto com outros estabelecimentos (não é super barato, mas é bem interessante e descolado).
O Monastério Santa Catalina é um lugar incrível, enorme e super antigo, uma das principais atrações de Arequipa. É um antigo monastério onde as freiras e noviças viviam em clausura total. Foi fundado em 1579, apenas 39 anos depois da fundação de Arequipa.
Tem diversos espaços pra conhecer, desde os clautros (“quartos”/casas) onde as freiras viviam toda sua vida, a espaços externos, como ruas, grandes pátios e jardins.
Alguns dos claustros tinham pátio e forno, enquanto outros eram bem menores, quase uma cela – um retrato claro da diferença de poder aquisitivo dos pais das freiras e noviças (eram eles quem bancavam sua filha lá, doando para o convento).
Um passeio muito interessante pra conhecer mais sobre a história e cultura local. A entrada custa 45 soles (2024 – uns 66 reais) e abre das 9h às 17h.
Se você também curte passear em mercadões, não perca esse rolê! O Mercado San Camilo é ótimo, grande, com muitas opções de frutas, sucos e verduras. É um ótimo lugar pra almoçar, você encontra vários restaurantes com almoços baratos, oferecendo o Menu del día a 10 soles (uns 15 pilas).
E lá você pode experimentar várias comidas típicas arequipeñas, como adobo arequipeño, queso helado, chupe de camarones, chicha guiñapo…
Arequipa tem várias comidas típicas – algumas são tradicionais em todo o Peru, outras são bem locais mesmo. Várias dessas comidas você pode encontrar no Mercadão, ou então em picanterías, que são tipo botecos espalhados pela cidade (falo mais sobre as picanterías mais pra frente no post).
Uma tradição em Arequipa é comer o Adobo Arequipeño no café da manhã aos domingos – no mercadão tem vários restaurantes que oferecem essa iguaria (alguns em outros dias da semana também – comemos no almoço num dia de semana, pagamos 15 soles). É um ensopadão com carne de porco, servido junto com pão – uma delícia, bem pesado para um café da manhã kkk.
Não deixe de experimentar o Queso Helado, um sorvete típico, que apesar do nome não leva queijo, mas é uma delícia! Tem no andar de cima do Mercadão, em dois locais bem tradicionais, mas também com vendedores de rua, em carrinhos de sorvete. Curti muito também o Chupe de Camarones (uma sopa de camarão), oferecida como entrada em alguns dos menus del día no mercadão, ou em picanterías.
Outras dicas para comprar no mercadão são o Queijo Paria, um queijo local bem típico e gostoso, e alfajores pequenos com vários sabores (a marca mais famosa é o Antojitos Arequipeños, tem também lojas próprias espalhadas pela cidade). E, claro, a chicha guiñapo.
A chicha Guiñapo é típica de Arequipa, e é uma delícia. É tipo um suco de milho, feita com milho roxo ou preto fermentado – a fermentação é a principal diferença da chicha morada, bem conhecida no Peru (a de Guiñapo tem um pouco de álcool e sabor diferente, por conta da fermentação – a morada, é um suco mesmo).
Mais comidinhas típicas logo adiante, em Picanterías, aqui no post.
É um bairro bem legal, histórico também, ao norte do centro histórico, com uma variedade gastronômica bem grande. Tem diversas ruelas com bares, restaurantes e picanterias. Ali fomos num bar chamado Chelawasi, com cerveja artesanal e terraço – bem bonito, mas meio caro.
Também conhecemos um bar e café pequeno mas bem gostoso chamado Il Riposo – fica junto ao hostel de mesmo nome. É barateza, simples, com decoração doida, e o dono/atendente/chef é bem gente fina.
Ao redor de Arequipa ficam vários vulcões – o mais famoso de todos é o El Misti, mas o Chachani aparece com muito destaque também, ao caminhar pela cidade. Fora esses, tem mais cinco vulcões ao redor da cidade!
Da Puente Grau, uma ponte no centro da cidade, você tem uma vista linda dos dois vulcões – mas também dá pra subir ao mirante Yanahuara pra ter uma vista do alto. Após atravessar a Puente Grau, você chega à Yanahuara, um bairro indígena bem bonito, e também à Recoleta, onde tem o Convento e Museu da Recoleta (dá uns 20 min andando desde a Plaza de Armas).
No bairro Yanahuara fica o Mirante Yanahuara, lindo e bem concorrido. Lá ficam os arcos muitas vezes usados no cartão postal de Arequipa, de onde se tem uma vista linda do vulcão El Misti. Tente ir cedo, pra não pegar tanta gente por lá – fomos no meio da tarde, tinha bastante gente o tempo todo. E ali perto ficam várias picanterías – conto mais sobre elas no próximo tópico.
Ah, e uma opção bem legal pra conhecer de verdade os vulcões é fazer um trekking subindo o El Misti, ou algum outro. É puxado, são bem altos, mas é um passeio incrível. A maioria das agências de turismo de Arequipa oferecem esses trekkings.
Ali perto do mirante você encontra várias picanterias, que são “botecos” locais que servem comidas bem típicas. A principal diferença para os nossos botecos é que as picanterías fecham cedo, normalmente umas 17h ou 17h30. São bem tradicionais em Arequipa, é normal a galera almoçar em uma delas, ou fazer um lanche durante a tarde – têm opções de petiscos e almuerzos. Ah, e algumas delas são bem caras!
Fomos conhecer a La Palomino, que tem mais de 150 anos! Ao lado dela tem a Nuevo Palomino, mais moderna, mas preferi ir na antiga mesmo. Achei bem gostosa, provamos o Trio de Piqueos, ou um trio de petiscos: rocoto relleno (prato típico peruando, é uma pimenta recheada, mais parecida com um pimentão, mas que tava apimentada kkk), sarza de patitas (umas patas de porco, meio sem carne, não curti muito) e chancho al horno (porco assado, bem gostoso), acompanhado de uma cerveja Arequipeña gelada. Não foi super barato, mas valeu a experiência. No vídeo dá pra saber mais sobre essa experiência no mínimo engraçada ;)
Veja também: Tour de Boteco, um passeio imperdível em Curitiba
Outra picantería ali perto é a La Dorita – não cheguei a conhecer, mas pareceu bem legal também.
Veja também:
Ficamos hospedados no Hostel Tajmani, achei uma opção bem legao, com valores justos. O hostel tem tanto quartos privados como dormitórios coletivos. Tem cozinha coletiva (sem fogão, mas com air friyer), água e chá liberados o dia todo. A diária inclui café da manhã simples. Pagamos 96 soles a diária no quarto privado, com café (uns 140 pilas, para nós dois).
Chegamos em Arequipa saindo de San Pedro de Atacama (Calama). Pra fazer esse trajeto, você pega ônibus pra duas cidades: Arica, que fica ainda no Chile, perto da fronteira peruana, e dali você pega outro ônibus pra Tacna, já no Peru (pertinho, com parada pra cruzar a fronteira). Depois é só pegar um ônibus pra chegar em Arequipa. Ao todo, você leva umas 15 horas nesses trajetos de ônibus (umas 8h de San Pedro a Tacna, 1h de Tacna a Arica – incluindo o tempo de cruzar a fronteira – e umas 6h de Arica a Arequipa). Ou, claro, você pode procurar um voo.
Se já estiver no Peru, um jeito bem prático de incluir Arequipa no teu roteiro é com o Peru Hop – um serviço de ônibus hop on – hop off, em que você pode descer em que cidade quiser dentro do trecho contratado. É bem legal, usamos bastante o ônibus do Peru Hop depois que já estávamos no Peru.
Pra quem sai de Lima, o ônibus passa por Arequipa antes de ir pra Cusco, ou vice versa – com opções de paradas em outras cidades pelo caminho, como Paracas, Huacachina, Nazca e Puno. E é legal porque você pode passar quantos dias quiser em cada parada, e depois pegar o próximo ônibus programado.
Fiz um post contando em detalhes como é viajar com o Peru Hop, dá uma olhada aqui.
Veja também: A melhor forma de viajar pelo Peru
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