(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 26/11/14 – semana 53).
Estranho não precisar me preocupar com o que eu visto pra sair na rua. Não precisar cobrir o cabelo ou usar roupas largas. Estranho as pessoas não me pararem pra conversar enquanto tô caminhando. Conseguir entender o que está escrito nas placas. Ver mulheres com as pernas de fora. Ver casais andando abraçados. Ou se beijando.
Estranho como as nossas referências podem mudar tão rapidamente! Passei três semanas no Irã, e esse tempo já foi suficiente pra me fazer estranhar um monte de coisas da cultura ocidental. Em apenas três semaninhas!
Tudo é relativo. Logo que cheguei no Irã me bati um monte com a história de ter que usar o lenço pra cobrir o cabelo, ficava incomodada com isso a toda hora. Até que um dia fui obrigada a usar o chador, aquele lençolzão que deixa só o rosto de fora, pra entrar numa mesquita. O negócio é tão desconfortável (e além de tudo você tem que ficar segurando ele na frente pra manter fechado) que quando pude me livrar dele, me senti completamente livre, mesmo ainda usando o lenço! É incrível como o referencial de liberdade pode mudar assim!
Apesar de ter me acostumado com o tal do lenço, a primeira coisa que fiz ao entrar no avião foi deixar as madeixas livres e soltas – uma sensação única não precisar ficar mais me cobrindo!

Amigos belgas sensacionais que conheci quando tava na Croácia!
Agora estou em um lugar completamente diferente: do Irã para a Bélgica! Acho que você já sentiu o drama do choque cultural, né? Aqui é tudo muito mais parecido com o Brasil, se você considerar como era o meu dia a dia no Irã, mas com algumas coisas bem especiais: comida e cervejas sensacionais!
O que o povo mais faz por aqui é comer e beber. E comer e beber muito bem! Um amigo fez uma comparação bem divertida, dizendo que os belgas são como os Hobbits. Desde que cheguei aqui virei uma Hobbit também – e tem como não? Os chocolates são simplesmente incríveis, os waffles, deliciosos, as batatas fritas, chose de loque! E isso sem falar na cerveja… Ah, a cerveja!
No Irã a bebida alcoólica é proibida, e essa pessoinha aqui ficou 3 semanas sem beber nem um gole de cerveja. Agora imagina qual foi a primeira coisa que eu fiz ao chegar na Bélgica? E nada de começar aos pouquinhos, bebendo de leve, já comecei enchendo a cara… rs… Meu host do Couchsurfing era um polonês, que me recebeu já com a garrafa de vodka na mão! Até tentei maneirar, mas a danada da vodka era forte pacas, e só lembro de em certo momento acordar com eles batendo na porta do banheiro e perguntando se tava tudo bem… Imagina a situação da pessoa!
E o interessante de estar em um país bilíngue é que você nunca sabe se a pessoa vai falar com você em francês ou holandês – não que faça muita diferença pra mim, porque vou responder em inglês mesmo! E mal tô me acostumando a esse jeito Hobbit de viver, em breve já vou mudar tudo de novo: na próxima semana, histórias da Holanda!
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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 26/11/14 – semana 53.
2 comentários
Sempre me pergunto… O que é mais difícil: uma mudança brusca de clima ou de cultura?
:-)
Acho que de cultura, Welingtonn! =)