(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 03/12/14 – semana 54).
Uma neblina fina encobria o caminho. Meus dedos pareciam pedaços de gelo. Só uma pequena faixa do meu rosto estava à mostra. Meu corpo todo doía enquanto eu fazia os pedais girarem. Os termômetros marcavam 3 graus, mas a sensação térmica era abaixo de zero. Crianças, mulheres, homens passavam por mim, sempre em cima de suas bicicletas. Ninguém parecia se importar com o frio. A não ser, é claro, essa mochileira que aqui escreve.
Ironias do destino: evitei ir para países onde é preciso usar a burka, mas na Holanda comecei a me vestir deixando só os olhos de fora! Os holandeses são acostumados com o frio, mas pedalar nessa friaca é surreal! E o engraçado é que todo mundo me olhava como se eu fosse um ser de outro planeta, toda coberta daquele jeito.
A Holanda e suas bicicletas! Elas fazem parte da cultura do país – em Amsterdam o no de bikes é o dobro do no de habitantes. Eles têm ciclofaixas por todos os lados e sinaleiros específicos para as bicis, e os motoristas sempre dão prioridade para os ciclistas. Os holandeses pedalam pra tudo: pra ir pra escola, trabalho, mercado, e até pra balada!
Em uma noite em Amsterdam saí com uma amiga holandesa, e como o metrô para de funcionar de madrugada, fomos de bicicleta pra balada. Com um detalhe: com uma só magrela, comigo pendurada na garupa, tentando me equilibrar e não congelar no caminho! Imagina a cena!
Uma característica interessante dos holandeses é a organização, e um raciocínio mais lógico e “dentro da caixa” – praticamente o oposto do famoso jeitinho brasileiro. Enquanto a gente sempre tenta dar um jeitinho de não pagar se não tiver ninguém cobrando, eles costumam fazer tudo nos conformes.
Nos supermercados você pode usar um leitor de código de barras e ir registrando você mesmo tudo que colocar no carrinho, e pagar direto no autoatendimento, sem ninguém conferir se você realmente registrou todas as compras. Imagina se isso ia dar certo no Brasil, né!
No carnaval (sim, a Holanda tem carnaval também, sabia?) tudo é super organizado, a festa tem hora certa pra começar, e também pra terminar – e o incrível é que a galera respeita mesmo o final da festa, quando dão o sinal, todo mundo volta pra casa!
E pra fechar, uma anedota sobre o jeitinho holandês: um dia fui com um amigo em uma torre no alto de um “morro” (entre aspas, porque o ponto mais alto da Holanda fica a uns 300m de altura!), e ficamos lá fazendo um piquenique. Quando tentamos ir embora, descobrimos que os caras tinham simplesmente trancado a porta! Enquanto meu amigo ligava pra um telefone que viu na parede de uma casa ali perto, pra tentar o contato de alguém pra abrir a porta, a brazuca aqui foi mais prática e resolveu tentar dar um jeitinho nela. Algumas fuçadas depois, achei um jeito de abrir, mesmo com a tranca ainda nela (trombadinha, hein)! E aí em vez de o holandês ficar feliz que a gente tava livre, ele achou ruim e disse que a gente devia ficar ali esperando até alguém aparecer pra destrancar a porta! Típico jeitinho holandês!
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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 03/12/14 – semana 54.

1 comment
Excelente! hahahah