Vulcões, gêiseres, lagoas, mirantes, formações rochosas – não faltam opções de passeios perto de San Pedro de Atacama
Se você quer conhecer o lindíssimo Deserto do Atacama, San Pedro de Atacama é o local pra ficar. É um pueblo pequeno, mas com muitas opções de passeios pela região, para lugares lindos (a cidade mesmo não tem muito o que fazer).
Já foi um lugar tranquilo, mas hoje em dia é totalmente turística – ao andar pelas ruas, o que você mais vê são agências de turismo oferecendo passeios, restaurantes e lojinhas de souvenirs. Principalmente nas ruas Caracoles e Tocopilla, as mais turísticas de San Pedro.
Mas falando em passeios pela região, opções não faltam. É até difícil escolher, entre tantas opções disponíveis! São tours para lagoas, gêiseres, vulcões, vales, salares, mirantes… O que acaba regulando é a grana mesmo, a maioria dos passeios é mega cara.

Como fazer os passeios de San Pedro de Atacama
Tem alguns passeios pertinho de San Pedro, outros bem longe. Normalmente a galera faz os passeios com agência – dá pra fechar o passeio lá em San Pedro mesmo, é o jeito mais fácil. Tem muitas agências oferecendo os passeios na Rua Caracoles, e ainda dão desconto se fechar um pacote de 5 passeios com eles.
Para os passeios próximos à San Pedro, uma opção para baratear é alugar uma bicicleta e ir por conta própria. É de boas fazer isso para ir para o Valle de la Luna, Valle de la Muerte, Garganta del Diablo (ficam a uns 6 km de San Pedro). É o jeito mais barato de conhecer esses locais – ou ir andando, claro.
Outra opção pra conhecer os locais por conta própria é alugar um carro. Se estiver viajando em duas ou mais pessoas, compensa muito – você consegue economizar até 60% em relação aos passeios feitos com agência. Alugamos um carro na nossa trip, fiz um post só sobre isso, com dicas pra quem quer visitar o Atacama por conta própria.

Veja também o post sobre conhecer o Atacama de carro, por conta própria.
O que conhecer em San Pedro de Atacama – passeios
Lagunas Altiplânicas
Fica longe de San Pedro, a uns 100km, mas vale o passeio, as duas lagoas são lindíssimas. São as Lagunas Miscanti e Miñiques, que foram formadas pelos vulcões de mesmo nome. Ficam a mais de 4 mil metros de altitude – lembre de ir agasalhado, lá venta e faz frio, mesmo com sol.
No caminho para as lagoas você passa pelo Trópico de Capricórnio (vale dar aquela parada pra foto) e pelo povoado Socaire.
A visita às lagoas não é demorada – na primeira tem uma trilhazinha que você percorre nuns 15 min, na segunda nem trilha tem. Não dá pra chegar bem perto das lagoas, só pode ficar na área demarcada. E não pode comer nas lagoas (só no carro ou ônibus). Dá pra ver vicuñas por lá, e às vezes, flamingos.
A entrada custa 10 mil pesos (uns 60 reais) e inclui também a entrada para Piedras Rojas – mas tem que ir de manhã, pra dar tempo de ver tudo. Nosso pneu furou, acabamos chegando na bilheteria meio dia e pouco, aí só deixaram a gente ir nas Lagunas (disseram que não daria tempo de ir nas Piedras Rojas).

Piedras Rojas
As pedras vermelhas ficam depois das Lagunas Altiplânicas, uns 45 min mais pra frente. Normalmente as visitas combinam os dois destinos. A entrada é a mesma (os 10 mil pesos das lagunas incluem a entrada para as Piedras Rojas.
São formações rochosas de tom avermelhado, bem bonitas. Por lá tem uma lagoa e um mirante onde normalmente dá pra ver flamingos. Desta vez acabei não indo pra lá (contei o porquê acima), mas conheci as Piedras Rojas na última vez em que fui pro Atacama, em 2015 (tem mais infos nesse outro post aqui).
Quebrada del Diablo
Esse é um dos passeios pertinho de San Pedro, a uns 6 km, que muita gente faz de bicicleta. É um verdadeiro labirinto no meio das rochas, um lugar bem doido. Fica dentro de uma reserva indígena chamada Catarpe. Dentro da reserva ficam também algumas tumbas antigas, que faziam parte do Camino Inca original, mas que hoje em dia são fechadas pra visitação.
Na Quebrada del Diablo (ou Garganta do Diabo) você caminha no meio de formações rochosas bem grandes, é um lugar muito bonito. As principais formações são logo no início da caminhada, se quiser andar pouco, dá pra conhecer o começo e já ir embora.
Mas se quiser explorar mais, como a gente, dá pra fazer um trekking de uns 45 min até o mirante, e aí subir morro acima (mais uns 25 min min pra chegar no alto do mirante). A vista lá de cima é linda, dá pra ver super bem o vulcão Licancabur, todo imponente, e as formações rochosas da Quebrada lá do alto. Achei a subida bem cansativa (não tava com esse preparo todo!), mas vale a pena.
Ah, e o trajeto do trekking até a base do mirante dá pra ser feito pedalando também, se você for de bike. Passamos umas duas horas e meia no total na quebrada, fazendo tudo caminhando. Tem também uma igrejinha pra conhecer, mais pra frente na estradinha, dentro da reserva. A entrada foi 5 mil pesos (uns 30 reais).

Laguna Cejar, Piedra e Baltinache
Três lagoas salgadas que ficam no salar do Atacama, e que você visita juntas – na segunda delas dá pra nadar. É muito legal flutuar na água super salgada, você não afunda nem se quiser!
O ideal é reservar a entrada pelo site da Laguna Cejar. As visitas por conta própria são só pela manhã (no período da tarde, só agência podem entrar – nada a ver, né), e são vagas limitadas por horário: às 9h, 10h, 11h e 12h. Não reservamos, mas quase não entramos. A entrada custa 15 mil pesos (uns 90 pilas)

A visita dura uma hora, é tempo suficiente para ver as duas lagoas onde não pode entrar na água (Cejar e Baltinache) e entrar na água na Laguna Piedra. É tudo bem organizado, tem o caminho demarcado entre as lagoas, e vestiários e duchas, pra se enxaguar depois de entrar na lagoa (o corpo fica todo branco depois de secar, coberto de sal, tem que se enxaguar).
Nessa uma hora você começa indo à Laguna Cejar, que é mais salgada que o mar morto! Dali você caminha para a Laguna Piedra, onde vocẽ pode entrar (no início você já troca de roupa e coloca o biquini por baixo, ali não tem vestiário. Tem 30 minutos por ali – parece pouco, mas não é bom ficar mais do que 20 min numa água tão salgada. Além do que, a água é tão geladaaa, que é difícil aguentar ficar tanto tempo!

Depois de tomar coragem pra entrar na água gelada, é só diversão – muito gostoso ficar boiando por lá, bóia muito fácil! Dali você pode já terminar o passeio, ou andar um pouco mais até a última lagoa, a Baltinache (também não dá pra entrar na água, mas vale umas fotos, é bem bonita. Só é bom levar alguma coisa pra colocar por cima, como uma saída de praia – a gente levou só uma toalha, pra usar depois da ducha, aí tivemos que andar por lá de biquini e sunga mesmo.
E é isso aí! Terminado o rolê, você toma uma ducha gelada que dura só um minuto, mas é suficiente pra tirar o sal do corpo, e partiu! Ali bem perto, a uns 15 min de carro, fica outra atração bem legal, os Ojos del Salar e a Laguna Tebenquiche.

Ojos del Salar e Laguna Tebenquiche
Os Ojos del Salar são dois olhos d’água com água doce, no meio do Salar do Atacama – muito doido você ver esses dois poços redondos de água doce no meio de um lugar que é puro sal.
Ficam bem próximos à Laguna Cejar (uns 15 min mais pra frente, de carro). Neles não dá pra entrar, mas são bem bonitos e rendem ótimas fotos com o reflexo.

Com a mesma entrada dos Ojos del Salar (5 mil pesos, uns 30 reais), você também visita a Laguna Tebenquiche, considerada sagrada.
A Laguna Tebenquiche é uma lagoa enorme, bem bonita, considerada sagrada, e um dos únicos 3 locais do mundo inteiro onde ainda existem estrematólitos. São as primeiras formas de vida que existiram no planeta, e foram eles os responsáveis por gerar oxigênio e consequentemente criar a camada de ozônio, possibilitando a vida na Terra. Massa, né! Os outros dois locais do mundo onde você encontra estrematólitos são o Golfo do México (estivemos lá no ano anterior, em Holbox) e na Austrália – só falta conhecer esse! Será que vai ser a próxima trip? ;)
Tem uma trilhazinha pra passear por um pedaço próximo à lagoa, dá uma boa caminhada. De carro, tem dois pontos de parada – dá pra caminhar um pouco pela trilha, e depois ir de carro até onde seria o ponto fiinal dela, pra ter outra vista bonita da lagoa. Não esqueça o protetor solar (como eu kkkk), dá uma torrada no sol nessa caminhada.

Tour Astronômico
O Deserto do Atacama é um dos melhores lugares do mundo para observação astronômica – não é a toa que lá fica o Alma, o maior observatório astronômico do mundo, um projeto colaborativo de 22 países.
É só olhar para o céu a olho nu por lá que você vê um zilhão de estrelas, é a coisa mais incrível! O legal de fazer esse tour astronômico é que você aprende um monte sobre as estrelas, constelações, galáxias, e além de ver a olho nu, ainda vê também pelo telescópio – coisa mais incrível ver saturno com seus anéis pelo telescópio!
Eu tinha feito esse tour em 2015, na época já tinham várias agências oferecendo o passeio, mas hoje em dia, acho que todas oferecem. Quis fazer com alguém especializado em observação astronômica, então escolhi a Space Obs – fiz com eles em 2015, e novamente agora em 2024. É muito legal porque eles não são uma agência, e sim um observatório, então os caras manjam demais do assunto!
Tem que reservar antes pelo site deles (tem um formulário de contato, é a única forma de falar com eles, mas respondem rápido). O pagamento você faz lá no observatório mesmo. O ponto de encontro é em frente a uma escola, próximo ao final da rua Caracoles, e de lá você vai de van até o observatório (leva uns 10 min). Começa às 20h30 e vai até umas 23h.
Você fica o tempo todo lá fora, observando as estrelas e ouvindo as histórias e explicações do guia. É um céu incrível, vale muito a pena a friaca (lembre de ir bem agasalhado, a noite no deserto é gelada!). Mas se prepare pra ficar de pé por pelo menos duas horas! A parte inicial do tour é com observação direta do céu, e a segunda parte é com os telescópios.
No final você ganha uma foto maravilhosa de presente (só com câmera profissa e configurações certas pra conseguir registrar você com o céu estrelado ao fundo!) e um chocolate quente, pra se esquentar da friaca. O tour com a Space Obs sai por 40 mil pesos (uns 240 pilas) – é mais caro que a maioria, mas se você quer aprender de verdade, com certeza é a melhor opção.

Outros passeios
Esses são só os passeios que fizemos dessa vez em San Pedro, mas tem muito mais opções disponíveis!
Quando fui em 2008, na minha primeira viagem de mochilão, fiz também o Geyser del Tatio, passeio muito massa pra ver os gêiseres explodindo. Sai de madruga, pega uma friaca, mas é uma opção muito legal de passeio também (em média sai por 45 mil pesos, uns 270 reais, mais entrada de 15 mil pesos – mais uns 90 reais). (tem mais infos nesse outro post aqui).
Pertinho de San Pedro fica o Valle de la Luna, onde a galera costuma ir pra curtir os mirantes e ver o pôr do sol. Dá pra fazer passeio com agência, ou ir de bike ou carro (tem mais infos nesse outro post aqui).

Outra opção legal de passeio são as Lagunas Escondidas Baltinache – são 7 lagoas, e em duas delas dá pra nadar (lagunas salgadas, daquelas pra ficar boiando, como no rolê da Laguna Cejar, que escrevi acima. Não fica longe de San Pedro, mas pelo que lemos a estrada é cheia de pedras soltas, bem ruim, só é boa pra furar pneu – não recomendaram que fôssemos de carro. Depois que nosso pneu furou do nada, só indo na Garganta del Diablo, achamos melhor pular essa. Mas por agência o tour sai por uns 45 mil pesos mais 10 mil de entrada (uns 330 reais).
Fora isso, tem ainda muito mais opções, como as Termas de Puritama, com águas termais, a Ruta del Vino, pra degustar vinhos locais, os hikings nos vulcões, como o Licancabur e o Lascar (tem pelo menos 6 vulcões pra escalar ali perto, variando entre 5.600 e 6.100m!), e passeios pela Cordillera de la Sal e pelo Salar do Atacama.
Você também pode conhecer o Salar de Uyuni saindo de San Pedro de Atacama, em um passeio de 3 dias de caminhonete (terminando em Uyuni, na Bolívia – uns 220 dólares) ou 4 dias (voltando pra San Pedro, uns 250 dólares).

Mais infos sobre San Pedro de Atacama – comidas e hospedagem
San Pedro não é uma cidade barata, já que é pequena e mega turística. Não faltam opções de restaurantes por lá – alguns até bem top, com menu degustação, como o Baltinache.
Como estávamos viajando no esquema mochilão, procurando gastar o mínimo possível, escolhemos uma hospedagem com cozinha, pra poder cozinhar várias refeições. Foi a melhor coisa, em vez de gastar pelo menos 60 reais por refeição (uns 10 mil pesos, valor mais barato dos pratos na maioria dos restaurantes), acabamos gastando R$ 7,50 por refeição! Ou seja, uma economia de 87% nas comidas!
Quando saíamos pra comer, íamos nos Los Carritos, ao lado do estádio – são vários restaurantes pequenos, que começaram como food trucks, e que oferecem o menu del dia com entrada e prato principal por 7 mil pesos (uns 42 reais).
Ficamos hospedados no Hostal Casa los Duendes, uma pousada bem legal, com quarto privado com banheiro, toalhas, cozinha coletiva bem estruturada, bom wifi e estacionamento, com vista para o vulcão Licancabur. Fica perto da rua Caracoles (uns 5 min caminhando). O quarto privado saiu por 42 mil pesos a diária (uns 250 reais). E usamos muito a cozinha, barateamos um monte o custo de San Pedro, que é bem cara.

Veja também o post sobre conhecer o Atacama de carro, por conta própria.
