1 País, 31 dias, 10 cidades, 10 anfitriões e 10 euros por dia

por Carol Moreno

Uma viagem por Portugal com 10 euros por dia

Guest post feito por Felice Marano, italiano, do Forget about it Travel, a convite do Mochilão Trips

 

Tudo sempre inicia um pouquinho por acaso. No fundo tudo toma forma a partir de um pequeno desejo. De um grande propósito. Assim minha última jornada portuguesa começa exatamente quando ainda estava descobrindo a maior das Ilhas Canárias, na Espanha. Num momento em quem minha ocupação principal durante o dia era focar na escritura do meu novo libro. Refletindo sobre minha vida como nômade e reportando minhas experiências como viajante pelo mundo. E pelo Brasil. Depois de ter deixado completamente por trás minha vida em São Paulo. Apesar de eu ser napolitano. Depois de sacrifícios. Muitos obstáculos e trabalho. Amigos e conquistas. Sempre acompanhado por uma grande ansiedade pelo futuro. Uma nova sensação de falta de propósito. E de profunda culpa. Depois de ter completamente largado minha vida no mundo corporativo. Na maior empresa de alimentos do país.

Trinta e um dias consecutivos na estrada. Principalmente descobrindo o norte do Portugal. Conhecendo acerca de 10 cidades novas e hospedado por mais de 10 anfitriões diferentes. A cada dia aprendendo apreciar os pequenos milagres que acontecem no dia-a-dia. Contemplando a vida e adquirindo confiança sempre maior em mim. E, mais importante ainda, nos outros. Isso tudo gastando nada mais do que 10 euros por dia. Isso mesmo, 10 euros por dia.

O que mais me surpreende, e mais me surpreendeu, porém, é a maioria das pessoas acreditar que é preciso ser mesmo rico para viajar tanto assim.

O mais determinante para aproveitar 31 dias no Portugal, sem gastar mais do que 10 euros por dia, na verdade, é um excelente planejamento financeiro. Cada gasto e cada pequeno centavo completamente reportado ou planejado. A cada dia.
O que aprendi viajando a muitos anos é que um ótimo planejamento começa bem antes da viagem. Toda questão de prioridade. Não gastando próprio dinheiro com bens que a gente não precisa ou bebendo aquela cervejinha amais que poderíamos evitar. Sabendo investir cada real, não gasto no dia-a-dia, em futuras viagens.

Quando, e se, viajar representa mesmo a única ou a maior prioridade na vida.

 

Minha jornada no Portugal começa em Valongo recebido e hospedado por uma família Portuguesa. Tipicamente carinhosa. Peculiarmente especial. No Porto fui hospedado no apartamento do Paulo, mesmo ele viajando em Londres e eu sendo um perfeito desconhecido. Apesar da maioria querer apresentar um mundo inseguro e repleto de perigos, eu fui sempre bem aceito e acolhido no país. Hospedado por pessoas muito mais novas que eu. E mais velhas. Por homens homossexuais e mulheres com crenças totalmente diferentes da minha. Por Portugueses e Brasileiros. Profissionais com trabalho de escritório e freelancer. Solteiros e famílias numerosas. Uma mãe e seu recém-nascido filho de seis semanas. Louco tudo isso, não é mesmo?

Não escondo que os primeiros momentos com desconhecidos sempre foram estranhos. Porque nós aprendemos a não confiar no outro. No que é diferente de nós. Essa experiência, porém, tem sido completamente positiva e fora do normal. Uma constante aprendizagem.

O resto da jornada não teve grandes planejamentos, foi deixada totalmente ao caso. Uma mensagem recebida improvisadamente no Couchsurfing. Aquele pedido de repente cancelado no bla bla car. A descoberta de um novo lugar no último minuto e a vontade de conhecê-lo. A impossibilidade de achar um anfitrião numa cidade, assim se dirigindo curiosamente em outra.

O que eu mais precisava, depois de uns meses de solitária vida como escritor numa ilha, era a volta a minha experiência direta com a estrada. Descobrir pessoas novas e tão diferentes de mim. Falar meu amado português no dia-a-dia e, mais importante ainda, mostrar e entender, mais uma vez, que é possível sim viajar pelo mundo de forma completamente barata e numa total imersão com os locais. A cada momento se inspirando. E, mais incrível ainda, nunca deixando de inspirar os outros também.

Felice Marano

 

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Eu sou o Felice, um italiano que há pouco mais de três anos desembarcou no Brasil para morar e fazer trabalho voluntário. Apaixonado por São Paulo, lutei para ficar até conseguir a oportunidade de entrar na BRF, uma das maiores empresas de alimentos do país, e apoiar o trabalho de empreendedores.

Depois alguns anos resolvi colocar a mochila nas costas e ganhar o mundo novamente. Mas agora com um propósito: ter tempo para escrever um livro sobre minha vida como nômade e inspirar os outros. Toda a aventura pode ser acompanhada no perfil Instagram @forgetaboutit.travel e no Medium ao perfil Felice Marano. O maior proposito do projeto é inspirar jovens a viajar pelo mundo e fazer isso de forma lenta e sustentável, valorizando a colaboração e o impacto social.

O “Forget about it Travel” é sobre experiências totalmente imersivas. É centrado em torno de uma experiência prolongada e profunda, principalmente com os locais, mas nem sempre.

 Junte-se a minha aventura:
Instagram: @forgetaboutit.travel
Youtube: Forget about it Travel
Facebook: Felice Marano

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