83 dias na Europa, em 9 países, com 14 euros por dia
Guest Post feito por Guilherme Brunner, do blog The World Upon my Shoulders, que está viajando há mais de três anos, a convite do Mochilão Trips

Em Junho deste ano iniciei uma viagem de quase 3 meses pela Europa como parte da minha viagem de Volta ao Mundo que agora já dura quase 3 anos e meio.
Foram 9 países visitados (Alemanha, França, Suíça, Austria, Hungria, Eslováquia, República Tcheca e Polônia) num período de 83 dias. Experimentei cervejas artesanais alemãs, provei o melhor da culinária francesa, visitei castelos medievais e campos de concentração, subi montanhas na Áustria, contemplei os Alpes suíços, curti a vida noturna em cidades fantásticas como Budapeste e Praga, entendi o impacto do comunismo em alguns países do centro-leste europeu, fui a uma partida de futebol local na República Tcheca, desci um rio de caiaque por 35 km na Polônia e vi os estragos causados pela guerra em cidades como Varsóvia, Cracóvia e Berlim.
Lendo assim parece ser uma daquelas viagens caríssimas dignas de uma revista de viagem, né? Bem que poderia ser, mas não foi!
Você acreditaria se eu te dissesse que tudo isso me custou apenas R$4345 (ou aproximadamente R$1115 por mês, sem passagens)? Mas como viajar em países caros na Europa pode ser mais barato do que viajar no sudeste asiático ou mesmo viver no Brasil?
Veja também:
Esqueça planejamentos, estadias em hotéis ou hostels, caras passagens de ônibus, trem ou avião, refeições em restaurantes e atrações almofadinhas com alto custo e seja bem-vindo(a) ao mundo da viagem à baixo custo!
Já adianto que esta não foi uma viagem de lazer tradicional (teve perrengue, noites mal dormidas, incertezas e até batida policial) e portanto não recomendo a qualquer um. Mas para aqueles que tem um espírito de aventura e não se importam onde vão dormir no final do dia, sintam-se abraçados!

A forma que encontrei para minimizar meus custos nesta viagem foram reduzindo a quase 0 (zero) meus gastos com transporte e acomodação, um dos principais vilões do orçamento do viajante quebrado na Europa. Tá, mas como assim? Senta aí que o tio aqui vai explicar.
Nestes quase 3 meses, o principal meio de transporte utilizado foi a carona! Foram exatamente 42 caronas cobrindo cerca de 4490 km no Velho Continente.
Recebi caronas de famílias, idosos, mulheres, caminhoneiros, uma vez tive que dirigir o carro pois o motorista não tinha dormido na noite anterior e até fiz amizade com outros viajantes que também estavam pegando carona no mesmo lugar que eu. Conheci pessoas de vários países e diferentes origens e tive a oportunidade de ouvir suas histórias. Ao contrário do que somos levados a acreditar, todas as experiências foram extremamente positivas e seguras, e nunca fiquei mais do que 3h à espera de alguém que pudesse me levar mais adiante.

Por que pagar por acomodação quando existe uma rede de pessoas disposta a te receber em suas casas? Ser hospedado pelo Couchsurfing e amigos que conheci em outros países durante a volta ao mundo foi outro fator fundamental nesta parte da viagem. Encontrei pessoas dispostas a ajudar e compartilhar um pouco do que têm em todos os cantos onde fui, independente do nível social ou crença. Fui convidado à festa de aniversário, partida de futebol, jantares e shows, e todas as experiências foram muito além do que ter uma cama para dormir no final do dia. Acampar em parques públicos ou passar a noite em postos de gasolina quando a carona não veio também fez parte do menu.
Mas se transporte e acomodação não foram despesas, com o que foi gasto dinheiro nesta viagem então?
– Cerveja: Talvez esse tenha sido o maior custo de toda viagem. Com preços variando de €0,9 a €4 por 0,5L do mais puro malte dos deuses de acordo com o país, não foram poucas que eu tomei. E não me arrependo de nenhum delas :)
– Transporte público: Caronar dentro de cidades é difícil, e neste caso é preciso usar transporte público sim, o que não é barato. Na Suíça, por exemplo, uma passagem de tram dentro de cidade pode custar até R$20! Muita gente não sabe, mas na Europa não há cobrador: você compra o ticket e entra no ônibus/tram/trem que seja. De vez em quando há inspeção, e se você for pego, terá que pagar uma multa caríssima. Na prática, em quase 3 meses de viagem, só fui checado uma vez. É possível utilizar o transporte público sem pagar, mas não é algo correto a se fazer.
Em algumas poucas ocasiões (quando alguém estava à minha espera e eu não podia depender muito de carona ou quando o tempo não ajudou) paguei por transporte entre cidades também.
– Comida: Não da pra passar 3 meses sem se alimentar, né? Muitas vezes as pessoas que me hospedavam me ofereciam comida, outras vezes eu cozinhei para mim e eles também. Lanches baratos com produtos comprados em supermercados em praças foram praxe, especialmente em países caros. Normalmente não comi em restaurantes, mas houveram exceções quando o preço não era muito caro. De vez em quando meus hosts faziam questão que eu experimentasse comidas típicas e ainda pagavam por elas.
– Tours: Viajo mais para ter experiências do que ver/fazer algo, mas as vezes um pouco de distração é bom. Descer rio de caiaque, visitar castelos medievais e campos de concentração custam dinheiro, mas fazer um programa desses uma vez ou outra não pesa tanto no orçamento no final.
Ps: Os famosos “Free Walking Tours” que rolam em basicamente toda cidade turística na Europa não são exatamente Grátis, e sim à base de gorjeta. Muitos guias dependem dessa gorjeta e não é bacana não deixar nada pra eles no final dos tours ;)
– Outros: Sempre há pequenos gastos extras na viagem como comprar protetor solar, tomar um sorvete num dia ensolarado, experimentar um doce típico local e até mesmo levar um souvenir pra aquele host do Couchsurfing que você acha que merece.
Sim, eu sei que eu poderia ter gastado menos se tivesse cortado muitos gastos (principalmente a cerveja), mas fico feliz por tudo que me aconteceu nestes quase 3 meses. Viajo economizando sempre, no perrengue na maioria das vezes, mas certas experiências não tem preço. Cair na estrada assim envolve saber lidar com situações inesperadas e estar sempre alternando entre momentos de muita interação social e longas horas sozinho apenas ouvindo seu próprio pensamento e seguindo seus instintos.
Viajar barato é possível, mesmo em países caros, mas nada disso seria possível sem a ajuda de todas as pessoas fantásticas que cruzaram meu caminho e me ajudaram sem pensar duas vezes.
Apesar do bombardeio de notícias ruins que recebemos diariamente, ainda acredito que o mundo está cheio de pessoas boas e aqueles que menos têm são os que mais dão!
Gratidão!
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Guilherme Brunner é capixaba, engenheiro eletricista e um assumido viciado em viagens. Aos 28 anos resolveu largar tudo que tinha para trás, colocar sua mochila nas costas e partir como um nômade pelo mundo em busca de aventuras únicas na vida.
É editor do blog The World Upon my Shoulders e está viajando há mais de três anos e meio, sem prazo pra terminar a trip.


6 comentários
Tenho muita vontade de fazer uma viagem dessas, mas primeiro quero fazer um mochilão simples de uns 45 dias para ver se dou conta do recado e é claro terminar a faculdade primeiro pra caso precise voltar ter alguma formação pra trabalhar.
Queria saber se nessas caronas ele passou por algum momento onde ficou com medo ou algo do tipo ?? pois infelizmente há uma galerinha má nesse mundão !
E como posso saber se a pessoa cuja a qual esta me dando essa carona seja uma pessoa boa ? como posso cvs com ela para me acalmar e acalmar ela ?
Oi Pedro, tudo bem?
Vou pedir para o Gui comentar aqui. Mas é como ele comentou no post, a gente tem mania de achar que vai acontecer algo ruim se pegar carona, e se surpreende como na verdade a maioria das pessoas não são más não. Eu mesma já viajei de carona várias vezes, e não tive problemas. A maioria das pessoas que pára pra te dar carona, pára porque percebe a oportunidade de ajudar alguém, ou quer alguém pra bater papo durante a viagem (muitos estão viajando sozinhos).
bj,
Carol
dá pra se virar em uma viagem dessas apenas falando ingles ??
Com certeza =)
É um sonho meu viajar pela Europa, nunca sai do meu país e um dos meus receios foi sempre o orçamento, com essas dicas estou tranquilo.. Já comecei a juntar dinheiro para uma viagem de 3 semanas n começo.. ?
Legal, dá pra viajar com pouca grana sim. Claro que não é fácil, mas é possível ;)