(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 11/06/14 – semana 29).
Estava cá eu viajando solita pela Índia (e enfrentando todas as peripécias que contei nas últimas semanas) quando uma coincidência do destino fez com que meu roteiro cruzasse com o de um amigo brazuca, que chegou aqui há alguns dias. Em um país ainda tão machista, e com tantas restrições para as mulheres, nada como viajar acompanhada, né?
Eu já imaginava que seria diferente viajar junto com um homem – e pra minha sorte viajei com três, incluindo um australiano e um taiwanês! – mas não imaginava que tudo seria tão diferente assim! Com a segurança de estar acompanhada, consegui conversar com as pessoas na rua, olhando nos olhos, e até arriscando uns sorrisos, veja só que maravilha! E mais, pude sair à noite na rua! Mas nessa hora tinha que andar sempre grudada neles, tipo esposa, se desse uma bobeadinha, já apareciam uns indianos querendo se chegar… Dona Caracol e seus três maridos!
E a viagem desse quarteto foi pelo Rajastão indiano em pleno verão, quando as temperaturas chegam a grudentos 48 graus, sem dar trégua nem à noite. Banho frio pra refrescar? Só se for nos teus sonhos, porque a água saía praticamente fervendo da torneira! Ar condicionado no quarto? Tinha sim, com o detalhe de que não funcionava porque a luz ficava oscilando toda hora. Pra tentar dormir nesse forno eu entrava no chuveiro de roupa e tudo e ia deitar toda molhada – e isso quase de hora em hora, porque em instantes eu já tava totalmente seca!
Diante desse cenário escaldante, o que as pessoas normais fariam seria pegar um ônibus para o norte pra fugir desse calor dos infernos. Mas como ninguém no tal quarteto era normal, além de ficar cozinhando pelo Rajastão, ainda resolvemos fazer um safári de camelo no deserto de Thar – já que é pra derreter, que seja com classe!
Desnecessário dizer que o calor no deserto foi de rachar o coco, mesmo coberto com minha canga turbante multiuso. E que andar de camelo é legal, mas que meu traseiro discorda completamente disso depois de horas sacolejando em cima do bicho. Mas preciso dizer que dormir em pleno deserto, tendo um céu recheado de estrelas como teto, e com o ar condicionado natural refrescando finalmente o corpitcho, isso, meu amigo, foi uma experiência que valeu todos os litros de suor e calos na retaguarda!
E já que é pra ter experiências sem noção nessa Índia doida, o negócio é chutar o balde de vez, – chega de camelos, agora é a vez dos ratos! Sim, aquele roedor cinzento nada limpinho. Existe um templo na Índia onde os ratos são considerados sagrados – os mais de 20 mil Mickey Mouse vivem livres e felizes correndo pelo templo e tomando um leitinho.
Agora atenção para o detalhe sórdido: pra entrar no local você deve estar descalço! Por motivos óbvios eu era uma das únicas espécimes humanas do sexo feminino (vulgo mulheres) no local. Se é nojento? É sim. Mas também interessante e muito louco ver tanto rato junto! Se vale a pena? Claro que sim! Afinal, é pra viver experiências doidas como essa que a gente viaja pelo mundão!
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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 11/06/14 – semana 29.




12 comentários
Perfeito, Carol! Mandou muito bem, pra variar. ;-)
Eba, valeu Raulzito!
bj
Ai Carol, que nojinho desses ratos! Mas acho que faria a mesma coisa, não iria perder essa experiência! E que bom que vc encontrou bastante companhia masculina para viajar, acabei excluindo a Índia da minha volta ao mundo pq vou sozinha e acho que não seria seguro… Mas tudo isso pode mudar uma vez que eu estiver na Ásia né? Vou deixar a vida me levar, hahahah.
Beijos!
haha… dá nojinho mesmo!
É, deixa a vida te levar que é melhor mesmo! É bem mais fácil viajar acompanhada por aqui, mas dá pra viajar sozinha sim. E o país é incrível, não perderia por nada!
bj
Seu blog é massa demais! Parabens!
Minha primeira viagem pra valer vai ser para o Peru em fevereiro do ano que vem nas minhas férias e como vc, vou sozinha com o meu mochilão… Suas viagens sao um incentivo para começar…Obrigada!
Que legal, Lu! Minha primeira trip também foi pra lá, e sozinha também! Que bom que tô te incentivando! Você vai amar! Quando voltar me conta como foi, hein! E se tiver dúvidas, diz aí!
bj,
Carol
Carol, quanto vc gastou na viagem pro Peru?
Oi Luciana,
Gastei uma média de 40 a 50 dólares/dia, incluindo tudo menos a passagem aérea.
bj
Esse valor por dia é incluindo o hotel?
Foi o que gastei por dia incluindo tudo – hospedagem, transporte, alimentação, passagens terrestres e alguns extras. =)
Que sensacional e que bizarro….Rs
Essa de entrar no templo do rato eu não se encaro não. Vc lembra o nome do templo?
haha Mari, encara sim, é legal! É o Karni Mata Temple, em bikaner, no Rajastão!