(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 07/05/14 – semana 24)
Sabe aqueles momentos em que você acha que passou da conta, que não vai aguentar mais, que é hora de largar os betes? Foi exatamente por um momento desses que passei quando resolvi escalar um vulcão gigante na Indonésia… Mas vamos começar essa história do começo!
Em Lombok tem um vulcão conhecido por ser muito bonito, mas um desafio e tanto pra chegar lá no alto e ter a vista compensadora – o vulcão Rinjani. Óbvio que falou em desafio e em vista bonita, tô dentro! Mas olha, mesmo estando acostumada a fazer caminhadas doidas por aí, eu não esperava que o desafio fosse tão grande!
O trekking dura três dias, e a caminhada é puxadaça – já no primeiro dia você sobe uma altitude de 2000m, indo de uns 600m pra uns 2600m, numa sentada! Quase 10h caminhando por dia, e só morro acima! Haja perna, e haja fôlego!
Quando o dia termina você tá quebrado, lógico. É jantar e ir pra cama! E aí vem a surpresa desagradável – o saco de dormir que eles te dão não é grosso o suficiente, e você tem uma noite do cão congelando dentro da barraca! Jesuis, né! Passar uma noite quase em claro depois de caminhar tanto, sabendo que tem mais dois dias pela frente ainda!
Enfim, bora lá caminhar no segundo dia! Você amanhece no lugar mais lindo do mundo, na boca da cratera do vulcão, vendo o lago que fica lá dentro! Na tarde anterior não deu pra ver nada por causa da neblina, mas a vista na manhã do segundo dia foi sensacional! E esse dia foi mais relax, descendo dentro da cratera pra nadar em pleno lago dentro do vulcão, e depois indo pra umas águas termais junto a uma cachoeira! Show!
E aí, depois de mais uma péssima noite de sono congelando dentro da barraca, você é acordado às duas da manhã (oh my God!) pra subir até o ponto mais alto do vulcão pra ver o sol nascer! O pequeno detalhe é que a essa hora a temperatura é simplesmente congelante, e pra ajudar esse é o trecho mais difícil do trekking, porque é um areião só – ou seja, você pisa e teu pé afunda e escorrega pra trás… Em vez de ir pra cima, apesar dos esforços, você fica voltando pra trás o tempo todo…
Principalmente se você estiver usando um tênis completamente liso como o meu! De verdade, acho que ninguém sofreu tanto pra subir no maledeto vulcão como essa pessoinha aqui! A galera simplesmente me passava, ia subindo, e eu ficava indo pra trás em vez de ir pra frente, de tanto que meu querido tênis escorregava! Caí apenas 19 vezes enquanto subia, com a fuça no chão…
E o grupo simplesmente foi na frente e me largou pra trás, inclusive o guia! E eu ali, abandonada, sozinha, tentando subir o tal do morro, me xingando por estar fazendo aquilo, passando o maior frio que já passei na vida, e tentando achar forças não sei de onde pra conseguir chegar no topo! E quando vi que o sol ia nascer logo, que já tava clareando, e que todo aquele esforço ia ser em vão, sei lá como consegui ir dando passo atrás de passo, e por fim cheguei lá no alto! Quase morri, mas cheguei! E pelo menos o caminho pra baixo foi susse, surfando nos areiões, e caindo de bunda mais umas 40 vezes! Haha… Foi um dos maiores desafios que já tive, mas acho que valeu a pena, né? ;)
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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 07/05/14 – semana 24.



7 comentários
Parabéns! Desiste não! Acompanhamos todas as postagens do caracol!
Rs… Que bom, Lucas! Desisti não, fui até o fim! :)
Parabéns Carol!!
Pelo jeito não deve ter sido fácil mesmo, mas quando a gente chega num lugar desse tudo vale a pena né?! :)
Bjoss
Opa, ctz Re! Cansa pacas mas vale muito a pena!!
Bjs
:) Isso aí!! Bjoss
Muito bom !
[…] Depois de muito sofrimento, muuuuuita vontade de desistir, muitos palavrões xingando o guia que estava sei lá onde quando devia estar me ajudando, muitas tentativas de me esquentar do vento congelante no alto do morro, vi que o céu já tava clareando e que o sol ia nascer provavelmente dentro de meia hora. Ninguém merece nadar e morrer na beira da praia, né!! Achei força não sei de onde e consegui chegar ao topo! Morta, congelada, revoltada… haha… Mas cheguei! E o nascer do sol nem foi assim tão sensacional… rs… […]