(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 16/04/14 – semana 21)
Se você assistiu ao Globo Repórter na sexta passada ou leu essa coluna nas últimas semanas, a essa altura já imagina que o Myanmar é um país muito diferente, né? E bota diferente nisso!
Mas pra entender de verdade esse país, nada melhor do que mergulhar de cabeça nessa cultura, e ficar hospedada na casa de locais, em pequenas vilas, sem luz, sem água, e sem internet, claro!
Tive essa experiência doida em um trekking de três dias que fiz na região do Lago Inle, na área central do Myanmar. Durante os três dias caminhei quase 60 km (ufa, hein!!), com solão na cabeça, a uns 40 graus! Parece cansativo? E é… rs… Mas o cansaço não é nada perto do que você vê e sente num lugar desses!
Como eu tô viajando sozinha, procurei mais gente pra fazer o trekking, e entrei num grupo tudo junto e misturado: dois ingleses, um italiano, um japonês, uma chinesa, um guia meio birmanês, meio indiano, e a brazuca aqui. Misturança total!
O guia era uma figura à parte, cheio das histórias e piadinhas. O japonês, como todo japa que se preza, ia tirando fotos de tudo que encontrava pelo caminho, até das pedras! A chinesa fugia tanto do sol que andava se cobrindo com praticamente um lençol! E ela foi a primeira pessoa que conheci que não sabia o que era o Brasil! Haha… Os ingleses tentavam se comunicar com o guia, que não entendia o sotaque deles, então eu acabei virando a intérprete! E o italiano era uma figuraça, todo tatuado e queridão, contando histórias da criação de maconha que ele tem na Espanha, onde isso é legal…Doideira!
Todo dia a gente acordava cedão pra caminhar e via o sol nascer. Mas em um desses dias a hora de acordar foi surreal: tinha um galo dentro da casa que começou a “cantar” às 4h30 da manhã e não parou mais! Durma com um barulho desses! Ah se eu pego esse galo…
O trekking passava por cenários diferentes todos os dias, por montanhas, plantações, rios e várias vilazinhas, onde a gente ia parando em casas de moradores e era super bem recebido! No Myanmar, quando você é bem vindo em uma casa, eles te oferecem chá – nunca tomei tanto chá na vida, de tão simpático que esse povo é!
Em uma dessas paradas uma senhora viu que eu tava usando um galho como apoio, foi pra dentro da casa e voltou com um cajado de bambu pra me dar! Isso me ajudou um montão durante a caminhada, já que meu joelho tava doendo!
E nas vilazinhas onde a gente dormia não rolava tomar banho, nem de balde… Imagina o fiasco na primeira noite, depois de um dia todo caminhando no solão! Eca! No segundo dia rolou um banho de rio – e foi um banho de verdade, com direito a shampoo, condicionador e sabonete! Imagina a cena!
E depois de muitos quilômetros caminhando, muitos sorrisos, muitas crianças acenando, muito calor (e poucos banhos!), essa experiência incrível chegou ao fim, quase junto com o final do ano no Myanmar, com suas festas muito loucas – mas isso já é história pra semana que vem!
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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 16/04/14 – semana 21.


4 comentários
Carol, como você descobriu sobre esse treking? Como faço para fazer? Obrigada!
Oi Beatriz,
Em Kalaw tem várias agências e hoteis que organizam esse trekking, indo de lá até o Inle Lake (Nyaung Shwe). Fiquei sabendo por um amigo, que também fez. Vale super a pena, é lindo e bem barato. Não precisa fechar nada antes, dá pra resolver tudo ao chegar em Kalaw mesmo. Daqui a uns dias vou publicar um post com tudo detalhadinho sobre o trekking. Se quiser receber por email, é só cadastrar teu email aqui no blog!
bj
Que ótimo!! Muito obrigada! Quero receber sim… gostaria de receber seu roteiro de myanmar tb.. vou me cadastrar.
obrigada de novo!
bjs
Beleza, acabei de te enviar por email!
bj