Se você viu o filme Comer, Rezar e Amar (ou leu o livro), deve ter ficado, como eu, com vontade de conhecer um Ashram na Índia, e saber como é passar um tempo por lá, né?
Quando resolvi ir pra Índia eu já sabia que ia passar uns dias em um Ashram, mas tinha um montão dúvidas – tenho que ficar um tempão lá, como no filme? Tem que acordar cedão? Tem que ser experiente na yoga? Como escolho o ashram, no meio de tantas opções?
Bom, se você curte a ideia de Rezar na Índia, e também tem algumas dúvidas, aproveita aí que esse post é pra você!
TENHO QUE FICAR UM TEMPÃO HOSPEDADO?
No, you don´t. A maioria dos ashrams diz que você deve ficar no mínimo 3 dias (até porque menos que isso não faz muito sentido, né!), e alguns recomendam uma estada de 15 dias pelo menos, mas poucos são tão rigorosos a ponto de te proibir de passar 5 dias ou 1 semana, por exemplo.
TEM QUE PAGAR OU PARTICIPAR DE TRABALHOS COMUNITÁRIOS?
Existem ashram onde você ajuda nas atividades, mas na maior parte você paga um valor fixo que inclui hospedagem, refeições e a participação nas atividades programadas para o dia, como meditação e yoga. Se for ficar bastante tempo, você pode se oferecer pra trabalhar de alguma forma – muitas vezes eles colocam os ocidentais na recepção pra receber os hóspedes.
É MUITO CARO?

Jardim do Sadhana Mandir
Aí vareia! Rs… O ashram onde fiquei, o Sadhana Mandir, custa 750 rúpias por dia (menos de 30 reais), incluindo hospedagem, alimentação (3 refeições e mais 2 momentos de chá no dia) e participação nos seminários (tem que ver quando tem algum programado – nos dias normais, sem seminário, a diária é de 600 rúpias). Barato pra caramba, né?
Mas tem outros que são bem mais salgados! Visitei um bem bonito (Mahatma Ashram), mas que queria me cobrar 250 dólares por 5 dias (tipo 125 reais/dia) – uma pequena diferença, né! E tem vários nessa faixa de preço!
TEM QUE ACORDAR ÀS 4H DA MANHÃ TODO DIA?

Garota estudiosa no Ashram!
Tudo depende do ashram onde você ficar. Alguns têm uma programação que começa mega cedo, e inclusive tem um alarme que toca pra acordar toda a galera – se você tá hospedado lá, deve participar de tudo. Já outros são bem mais relax, e é tu quem tem que se disciplinar pra acordar cedo. Onde fiquei eles não tinham uma programação fixa, você acorda na hora em que quiser (mas as refeições são em horários fixos).
Normalmente sou um ser noturno, gosto de ficar acordada até tardão e não acordo cedo naturalmente, mas num ashram faz sentido você acordar cedo pra entrar no clima!
TENHO QUE SER EXPERIENTE NA YOGA?
Diferentemente da “Júlia Roberts” (hehe… da autora do livro), não sou uma praticante assídua de yoga – já fiz por alguns meses e gosto muito, mas não sou entendida das filosofias yogis e nem tinha um guru, como ela. Então essa é a boa notícia: você não precisa ser um yogi experiente pra ficar em um ashram. Oba!
TEM QUE RESERVAR COM ANTECEDÊNCIA?

Fiz até um retiro de silêncio por lá, mesmo sendo tagarela!
Alguns sim, outros não. Onde fiquei, no Sadhana, se for só se hospedar normalmente não precisa reservar antes (mas é bom mandar um email ou ligar confirmando se tem vaga). Se for participar de curso, tem que se inscrever antes, preencher formulário e tudo mais. Eu fui na louca mesmo, fiz cara do gatinho do Shrek e consegui me enfiar no curso, que tinha começado no dia anterior… rs…
O QUE PODE OU NÃO FAZER?

Pode fazer pose pra foto… rs
Os ashrams sempre pedem pra você se vestir adequadamente – nada de shorts, saia curta, roupa justa, blusa de alcinha, ou andar sem camisa para os homens. A roupa tem que ser confortável anyway, pra você poder praticar yoga e meditar confortavelmente.
É proibido beber e usar drogas – mas acho que isso é meio óbvio, né! E na real, dependendo do nível da tua meditação, parece mesmo que você andou usando dorgas… kkk
Alguns ashrams sugerem que você evite sair, pra ter uma experiência mais completa – outros já nem ligam. E em que se comportar direito – nada de sair berrando ou gargalhando, é um ambiente tranquilo e de silêncio.
Em alguns é obrigatório participar das atividades, como yoga e aarti, mesmo aquelas que são mega cedo.
EM QUE ASHRAM FICO?
A pergunta de um milhão de dólares! Tem vários ashrams na Índia, mas a cidade onde fica a maior parte é Rishikesh, no norte (é lá que fica o ashram onde os Beatles ficaram nos anos sessenta).

Pedindo papel higiênico sem poder falar no retiro de silêncio!
Existem vários tipos diferentes, depende do que você quer! Alguns são mais rigorosos com as regras, outros de dão mais liberdade pra ficar saindo do ashram; alguns tem uma programação bem completa, outros são mais self service mesmo; alguns são mais parecidos com um resort ou spa do que um ashram; e tem vários dentro da cidade que nem tem muita natureza, você acaba ficando fechado dentro de um prédio… Conheci alguns em Rishikesh até achar o meu:
– Parmath Niketan: esse é um dos mais conhecidos, é bem grande e movimentado – tem espaço pra mais de 1000 pessoas, e todas as tardes lá acontece uma cerimônia bem bacana do Aarti, junto ao Ganges (mas a cerimônia é aberta, todos podem assistir, mesmo não ficando lá). A hospedagem custa 600 rúpias (uns 25 reais), mas não inclui refeições (na época em que fui lá perguntar a cozinha tava fechada, tinha que ir em algum lugar pra comer). Eles têm uma programação bem completa para o dia (meditação, yoga, puja, aarti), mas com momentos free, e você tem total liberdade pra sair do Ashram. Achei o lugar bonito, mas muito movimentado pra mim (queria um lugar beeem relax, mais isolado)! Fica perto da Ram Jhula Bridge.
– Anand Prakash: esse tem um tipo próprio de yoga e foi fundado por um casal – achei a proposta bacana, mas o lugar é basicamente um prédio, com só um pequeno jardim, não curti a ideia de ficar lá (queria natureza e espaço)! Custa 800 rúpias (uns 32 reais), incluindo hospedagem em quarto compartilhado e 3 refeições (se ficar em quarto particular é mais caro). Eles têm uma boa programação, com yoga e meditação duas vezes por dia. Fica perto da Laxman Jhula Bridge.
– Phool Chatti: não cheguei a conhecer esse, mas foi muito bem recomendado por várias pessoas, como a Bianca do blog Também Saí. Ele fica fora da cidade, pro norte da Laxman Jhula Bridge. Ele fecha na metade do ano, na época das chuvas (em Julho e Agosto) – eu ia me hospedar lá, mas tava em Rishikesh exatamente em julho… Tem programações em datas fechadas com duração de uma semana.
– Mahatma Yoga: apesar de ficar em Laxman Jhula, ele fica afastado do centrinho da cidade, na beira do Ganges (é até difícil de achar como chegar lá, não tem rua de verdade). O lugar é bem bacana, bonito e tranquilo, mas o preço é bem salgado – me pediram 250 dólares por 5 dias (hospedagem, refeições e programação). Aí não rolou, né!
– Swami Rama Sadhaka Grama: ashram bem bacana e que fica fora da cidade. A área é bem grande, bonitona, e os quartos são uns chalezinhos super ajeitados. Tem programação envolvendo yoga, meditação e puja. Fica a uns 2 km do Sadhana Mandir Ashram (que foi onde fiquei), eu ia lá à tarde pra participar da sessão de meditação (um pouco antes das seis da tarde acontece uma sessão onde todo mundo se junta ao Swami Vedha, fundador do ashram, pra meditar em conjunto).
A vantagem dele em relação ao Sadhana Mandir é que tem uma programação e uma área maior. O valor por dia é 35 dólares, incluindo hospedagem, refeições e atividades (mais caro que o que fiquei). Apesar de ele ser fora da cidade, fica perto de uma vilazinha, então é fácil sair e comprar alguma coisa, se precisar.
– Sadhana Mandir: e esse foi o grande eleito! Rs… Lendo aí você já entendeu porque não fiquei em nenhum desses aí em cima. E não me arrependo nadinha da escolha, achei o lugar simplesmente sensacional! Ele foi fundado por Swami Rama, da Himalayan Tradition (agora meu guru!), e tem uma paz impressionante! Fica isolado da cidade e na beira do Ganges (você fica curtindo o visu e o rio da sacada do quarto)! É uma delícia ficar caminhando pela orla do rio em uma ruazinha bem tranquila que tem ali, sem carros nem motos. O jardinzão é um show à parte, muito bonito! Eles têm um hall de meditação bem grande, com bom espaço e clima pra praticar yoga ou meditar. E tem também uma biblioteca e uma sala de vídeo.
O
único porém que vejo nele é que é um ashram “faça você mesmo”. Eles não têm uma programação de atividades diárias (yoga a tal hora, meditação a tal hora…), a não ser quando acontecem os cursos (vale consultar o site). Na maior parte do tempo é você quem tem que criar a tua agenda, e se disciplinar pra seguir. Quando fiquei lá participei de um Retiro de Silêncio, aí tinha uma programação diária (e também estava acontecendo uma celebração em homenagem aos gurus, com pujas diárias).
Em alguns dias eu ia até o Swami Rama, que fica a 2 km dali, pra participar das sessões de meditação coletiva com o Swami Vedha (acontece todo dia às 17h45 e dura uma hora) – como eu tava hospedada ali no Sadhana, nem tinha que pagar nada. Pra chegar lá você leva meia hora andando, ou pega um tuk tuk coletivo, que custa 10 rúpias (40 centavos) e leva uns 10 minutos.

rango time!
Não sei como é a comida nos outros, mas no Sadhana o rango é simples mas gostoso. Não tem muita variedade, mas é sempre bem feitinho. Basicamente é chapati com algum curry indiano e arroz – o bom é que eles não apimentavam muito a comida, então consegui comer bem! O café da manhã tem umas torradas, mingau e mais um prato indiano, e a janta é tipo o almoço. Em alguns dias eles fizeram um tipo diferente de roti, o papard, que é crocantinho, achei sensacional! As refeições são às 6h (chá), 8h (café da manhã), 13h (almoço), 16h (chá) e 19h (janta). Se você curte comer alguma coisinhas nos intervalos, é bom levar uma bolachinha contigo. E uma garrafa pra poder encher com a água filtrada. Ah, e é tu mesmo quem lava a louça lá!
Como ele fica bem isolado e no meio da natureza, é normal ter alguns bichinhos na área – vira e mexe apareciam umas aranhas no meu quarto, e tinha um grilo que morava no banheiro… rs… Tem esquilinhos, lagartixas e também uns sapinhos no jardim. Se você é meio frescarento com bichos, melhor ficar num lugar mais urbano!
Pra chegar lá saindo de Laxman Jhula, você pode pegar um tuk tuk coletivo (uns azuis grandões) e ir até o ponto final dele, que é onde fica o “Market” (uma área cheia de barraquinhas de rua). Ali você tem que pegar outro tuk tuk coletivo, mas aí você tem que perguntar qual vai para a rua do ashram (que também é conhecido como Swami Rama, o fundador). Ou então tu pega um tuk tuk privado, mas aí fica mais caro, né! Cada tuk tuk público custa 10 rúpias (40 centavos de real).
Acho que é isso! Se você tiver outras dúvidas, ou quiser compartilhar aqui tua experiência em um ashram indiano, comenta aí!
E olha dois sites bacanas que me ajudaram a escolher o ashram: Paths 2 Yoga e Go India.









27 comments
Olá Carol!!!
Para variar amando os seus posts! Estive na Índia e conheci o Parmath Niketan, participei do Aarti lá, e realmente é maravilhoso! Fiquei hospedada no Hotel no centrinho de Laxman Jhula, e acompanhava a programação no Asharam onde estava o Prem Baba, um guru brasileiro que todos os anos vai para lá. Tem uma galera de seguidores brasileiros, e estrangeiros também. Gostei muito! Foi um momento de grande transformação na minha vida, pois a Índia é realmente inexplicável, e isso transforma as pessoas.
Quero muito voltar para Índia, mas agora quero ir para o sul, e gostaria de ficar no Ashram do
Sai Baba, que dizem ser quase uma cidade.
Namastê! Carol ;))
Oba, Cris, valeu pela contribuição! O Parmath Niketan pareceu super bacana mesmo, legal saber a tua opinião! Também quero muito voltar pra lá e ir pro sul, quem sabe a gente não vai juntas? ;)
bj
Oi Carol!Hum seriz um grande prazer ter a sua companhia;) Estarei de férias em maio do ano que vem, se estiver a fim, “vombora”, rsss mochila nas costas rumo ao sul da Índia; ))
Namaste!
haha… Massa Cris! Dependendo do que eu tiver fazendo depois que voltar, vou mesmo! =)
bjs!
Ola Carol, esto pensando em ir para India, adorei essa pagina que vc criou, mas penso em ir para morar la, vc pode me dar algumas dicas? Devo ir para quel ashram, masis barato? passa um e-mail para mim que é mais facil para me comunicar. o meu e-mail é o tatiana.laranobrega@hotmail.com Namaste
Oi Tati,
Legal que você vai pra Índia. Adorei o país, mas acho que não moraria lá, não… rs… Sobre os ashrams, as dicas estão todas aí no post. ;)
bj
oi Carol.. tô pensando em ir pra Índia.. ficar em um Asham. digamos q eu fique uns dois meses. e dê umas saídas de vez em quando.. quanto você acha que eu gastaria? soh por cima… pra que eu tenha uma ideia e possa começar a eonomizar… me ajude… hehe
Oi Ramohn,
O valor varia muito dependendo do ashram onde você ficar. A referência de valor que tenho é a do onde fiquei, os valores estão aqui no post, aí você tem que fazer umas continhas. O dia a dia na Índia, fora do Ashram, é muito barato, gastei uma média de 15 dólares/dia, incluindo tudo.
bj
Esse post veio na hora certinha e na medida pra minha viagem! SUPER obrigada pelas dicas.
Mari (Ideias na Mala)
Que bom Mari! No que precisar, diz aí!
bjs
Como é a politica de privacidade, eu posso fotografar e filmar as práticas? tem alguma proibição nesse sentido? onde e quando estou livre para filmar ou fotografar?
Depende do ashram, Mauro. Onde fiquei não podia, mas acho que se conversar com os donos e combinar antes, deve ter algum momento que possa ser fotografado.
abs,
Carol
Olá Carol, obrigado por compartilhar sua experiência.
Gostaria muito de conhecer e se hospedar em um Ashram, mas meu inglês ainda está muito básico, neste caso da para se virar por lá, como é recepção deles neste caso?
Obrigado =)
Oi Leandro,
O importante é você ter inglês o suficiente pra se comunicar, mesmo que seja básico, afinal é essa a língua que você vai usar pra conversar em qualquer lugar da Índia (e na maior parte do mundo também).
bj
Olá Carol!! Amei seu post!!!
Queria saber quanto tempo vc ficou la no ashram e se vc tem ideia do valor que gastou em toda a sua estadia.
Estou no processo de pesquisa de valores :D
Obrigaaadaaa
bjos
Oi Damilis, tudo bem?
Fiquei 5 dias no ashram. Sobre valores, tem tudo descrito no post, fica tudo incluído no valor cobrado lá.
bj
Oi, Carol, Tudo bem?
Muito obrigada pelas dicas e pelo Post. Foi muito esclarecedor.
Uma dúvida, você foi sozinha pra lá? Eu devo sair de São Paulo e ir pra algum ashram sozinha. Dizem que é perigoso.. Como você fez para se locomover?
Obrigada, beijos!
Oi Gabriela, tudo bem?
Fui sozinha sim, tem posts sobre isso aqui no blog, dá uma olhada. Viajei de trem ou ônibus pela Índia, e dentro das cidades, principalmente de tuk tuk.
Bj,
Carol
Oi, Amei seu post. Nele não vi o valor do Ashram que você ficou. Você lembra?
Oi Eline, tudo bem?
A info tá ali no post, mas foi menos de 30 reais por dia, super barato.
bj,
Carol
Carol, vc é uma inspiração! :-) Me diz uma coisa, vc chegou no ashram e tipo, ficou, não teve que reservar nada antes?? Pretendo ficar num ashram tbm, mas tô receosa de chegar lá e não conseguir vaga… Agradeço desde já a atenção! ;-)
Oi Fabiana, tudo bem?
Depende do Ashram. Nesses mais conhecidos (e mais caros) tem que reservar antes sim. No que fui, foi só chegar, bem tranquilo. Mas na dúvida entre em contato com o ashram antes, pra garantir.
bjs!
Olá Carol. Gratidão pelas informações. Eu sou professora de Yoga para crianças e adultos aqui no Brasil (SC). Estou planejando ir para India no próximo ano 2020 ( fevereiro).Estou planejando minha viagem, lendo blogs, buscando quanto mais informação melhor. Meu objetivo inicial é ir para um Ashram (gostei muito do Dayananda) e depois de um tempo, acredito uns 15 a 20 dias, gostaria de iniciar um curso de 200 ou 300hrs. Para custear a viagem pensei em me hospedar em um ashram com trocas de serviços por hospedagem e refeição e depois pagar um curso de formação. Gostaria de saber se você teria alguma informação sobre o Ashram Dayananda? Se na entrada do país (imigração) eu estiver com passagem aerea de 40 dias e ter apenas 10 dias acomodação reservada, eles podem questionar?
Agradeço de coração sua atenção
Namaste
Aryane
Oi Aryane, tudo bem?
Não tenho informações sobre esse ashram, todas as infos que tenho sobre ashrams incluí aqui neste post. Normalmente você não precisa ter reserva de acomodação para o período todo da viagem, só para os primeiros dias.
Abs,
Carol
[…] voltava de uma viagem à Búzios – zona litorânea do Rio de Janeiro – eu achei o blog Mochilão Trips, da Carol Moreno, que me ajudou bastante na escolha. Na semana seguinte, entrei em contato com […]
Seus posts são incríveis!!!!!!! Estou amando ler um por um. Vou fazer uma viagem de 6 meses no ano que vem que inclui a Índia e já estou me programando :)
Que bom que você está gostando, Mari. A Índia é um país incrível, vale a pena conhecer!
bj,
Carol