(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol, publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 09/07/14 – semana 33).

No filme Comer, Rezar e Amar, com a Júlia Roberts, ela resolve viajar pra fugir de uma depressão pós divórcio e pra “se encontrar”. O filme (e o livro) é ótimo, mas reforça um clichezão: a ideia de que quem larga tudo pra viajar tá fugindo de alguma coisa, ou numa busca por si mesmo.

India - Ashram (1)Mas não, fazer uma viagem dessas não significa nem uma coisa nem outra. Não tô fugindo de nada – tinha um bom emprego, vários amigos e a família por perto. Também não tô numa busca por mim mesma – é bem importante se conhecer melhor, mas pra isso não é preciso sair viajando!

Pra mim essa é uma grande jornada de descobertas e aprendizado. Viajando você conhece culturas e formas de pensar diferentes, e abre tua cabeça. Você questiona conceitos de certo ou errado. Descobre que a intolerância vem da visão estreita das coisas. Aprende que o ritmo de vida pode ser outro. Você aumenta tua capacidade de aceitação, e se livra de ideias pré concebidas que tem na cabeça.

India - Ashram (3)Mas, filosofias à parte, vamos aos fatos que deram o nome a essa coluna: faz alguns dias que tô em um ashram, como aquele onde ela ficou no filme, fazendo um retiro espiritual. Depois de um mês e meio viajando por essa Índia louca, onde tudo é barulhento, cansativo e tumultuado, passar uns dias meditando em um lugar isolado é tudo que eu mais queria!

O que eu não imaginava é participar de um retiro de silêncio! Normalmente sou aquele ser tagarela que adora ficar contando uma história. Agora imagina passar horas sem poder falar nada, sem dar nem um piu! Não foi fácil, mas o engraçado mesmo era quando precisava resolver alguma coisa, como quando acabou o papel higiênico. Pensei em fazer uma mímica, mas como os indianos não usam papel no banheiro, acho que não ia adiantar muito! Aí o jeito foi levar o rolo até a recepção e apontar pra ele mesmo.

Só na Imagem & Ação...

Só na Imagem & Ação…

A experiência do ashram tá sendo super tranquila e relaxante, um contraste total com a minha vinda até Rishikesh. Quando comprei a passagem de trem, fiquei na lista de espera, mas segundo o cara da agência não ia ter problema, porque só tinha uma pessoa na minha frente na fila.

Cheguei em cima da hora na estação de trem (tava vindo de uma outra cidade), e pra complicar, não tinha ninguém no guichê de troca da reserva pela passagem. Como o trem já tava saindo, não teve jeito, entrei assim mesmo. Tinha pago a passagem, mas tava de clandestina! Sentei num banco vazio e comi até janta no trem, fazendo cara de inocente enquanto esperava o tiozinho aparecer pra cobrar o ticket.

Noite de mindinga

Noite de mindinga

Claro que ele queria me expulsar dali. Mas bati o pé e fiquei no banco, esperando chegar o dono e rezando pra ninguém aparecer. Logo fui despejada de um banco, e depois de outro, e de outro… Até que às 3h da manhã, com todos os lugares ocupados, resolvi assumir meu lado mendigona e dormir no chão mesmo. E nessa hora alguns indianos ficaram com pena de mim, e me emprestaram lençol e até travesseirinho!

E assim encerro essa coluna, com o Comer, Rezar e Amar do trem: comi o rango, rezei pra ter lugar, e descobri o amor ao próximo dos indianos! Namastê!

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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol, publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 09/07/14 – semana 33.

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5 comments

Bernard 21/10/2015 - 10:25

Tudo bem ? Gostei de ler sua experiencia! Gostaria de Saber em qual ashram você ficou ?
Muito Obrigado ;)
Parabéns

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Carol Moreno 08/12/2015 - 13:22

Oi Bernard,
Foi no Sadhana Mandir, dá uma olhada no post sobre Como é ficar num ashram na Índia, tem tudo explicadinho.
bj,
Carol

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