(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol, publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 16/07/14 – semana 34).
De Calígula à divindade. Do erotismo à oração. Da safadeza à fé. Essa história caliente e contraditória começou quando descobri que na Índia existe um complexo conhecido como Templos do Kama Sutra. Mas opa, péra lá: se você acompanha a coluna, deve lembrar que há algumas semanas eu contei sobre como o sexo é assunto mega reprimido na Índia. Nem maridos e mulheres tocam no assunto, é um super tabu! Então como é que, logo aqui, existem templos do Kama Sutra?
Como diria Chicó, “Não sei, só sei que foi assim”! Agora me diz, o que não é contraditório na Índia? Pessoas passando fome nas ruas, mas dando o chapati que recebem para as vacas comerem. Mulheres não podem mostrar pernas nem ombros na rua, mas podem andar com a barriga de fora, sem problema nenhum. Eles jogam lixo na rua, preparam a comida no chão, mas quando tomam água não encostam a boca na garrafa por uma questão de higiene. E essa lista de contradições é interminável!
Voltando à primeira parte da história, a pulga da sacanagem me picou, e eu não podia deixar esse país sem visitar os tais templos! Eles ficam em Khajuraho, uma cidade pequenininha, onde a principal (e acho que única!) atração é visitar os templos.
Os templos são hinduístas e jainistas, alguns têm mais de mil anos, e são decorados com milhares de imagens humanas na parte externa. Mas como meu objetivo lá não era muito nobre, o que fiz mesmo foi ficar caçando as cenas proibidas para menores! Não são tantas imagens eróticas assim, mas as que vi são no mínimo inspiradoras… Posições sexuais mega criativas, a dois, a três, a quatro… haha…
E depois de visitar um lugar tão safadenho, meu próximo destino não poderia ser mais contraditório: uma das cidades mais antigas e sagradas do mundo!
Varanasi tem mais de 5 mil anos, e é uma das cidades mais sagradas para os hindus – para eles, é auspicioso passar dessa para uma melhor nessas bandas. Lá acontecem diariamente dois tipos de rituais: a cremação dos corpos na beira do rio Ganges, e uma cerimônia de devoção ao rio, considerado uma divindade pelos hindus, com muita música, fogo, flores, incensos, e claro, muita fé!
Numa cidade sagrada dessas, as vacas, animais sagrados na Índia, estão por todo lado. E já ganhei duas vezes a benção das santidades: andando pelos campos minados (vulgo ruas), acabei acertando em cheio uma bela bosta de vaca – e o pior é que eu tava de chinelo, e foi tudo no meu calcanhar… Eca! Mas podia ter sido pior, podia ter entrado entre os dedos, né! Haha…
E no mesmo dia, em uma das ruelas estreitas, do outro lado veio vindo um tourão gigante, bufando, tipo “Aqui ninguém passa”! Eu tava com dois amigos, que não tiveram dúvida – foram pernas pra que te quero!
Os dois marmanjões me largaram lá, sozinha, enfrentando o touro Bandido! Cena de duelo de Velho Oeste: olhei pra ele, ele olhou pra mim… E só dei um passinho pro lado pra dar passagem para o bichão! É, essa mochileira aqui foi mesmo abençoada pelas divindades indianas!
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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol, publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 16/07/14 – semana 34.
